Eu queria te dizer uma coisa, mas, sabe como é... A vida sempre faz com que as pessoas se afastem, se aproximem, se afastem de novo e tudo mais. Mesmo assim, aconteceram coisas, que eu acho que você deveria saber, porque, lá no fundo, eu acho que se você ler isso, vai sorrir, meio bobo, como eu também sorri, e vai ficar feliz. Feliz de verdade em saber disso.
Eu não sei muito bem como começar, mas, vamos lá:
Eu tenho um amigo, não amiigo, mas pessoa que eu conheço, você provavelmente já ouviu falar dele, eu não vou citar nomes aqui, tudo bem assim? Então, é um cara que eu respeito muito porque encontro nele alma de artista e inteligência. Aquele tipo de pessoa cujas opiniões não são meramente superficiais e fazem muito sentido, sabe qual é? Pois é, a gente sempre acaba cruzando com gente bacana assim.
Esse cara me deu vontade de voltar a escrever. De praticar, insistir e, finalmente, brilhar.
Foi assim: por eu admirá-lo e respeitá-lo, a gente bateu um papo sobre uma tal palestra que eu fui. Algumas coisas interessantes, outras não. Eu sinto nesse cara que ele aposta em mim, sabe? Que ele acha que eu consigo, mas que sente um ligeiro medo de eu me deixar levar, de eu me perder no meio desse mundo tão conturbado.
Aí, olha que legal, ele me criticou! Foi a crítica mais sincera e linda que eu já recebi na vida! Pois é, isso realmente me deixou feliz. Como sempre, estávamos falando sobre talento. Sobre o quanto as pessoas são pobres nisso e ficam tentando com técnicas clichês, suprirem essa falta de vocação. Aí eu disse, na maior honestidade, o quanto eu achava que eu podia, mas que eu não estava pronta. Mas que eu tinha talento.
Foi aí que ele me disse:
"Mas você tem potencial. Tem bom texto. Tem sacadas. O problema está na construção da história. Isso é bem fácil de arrumar. Um pouco de treino. Mas já tem visão. Uma inquietação. Tem que treinar mais na construção da história. A história se perdeu. Na verdade, perdeu o leitor. Foi, voltou... tem contradições, falta verossimilhança (não é realismo, você sabe a diferença). Mas tem uma fúria ali. Uma ironia que você, em alguns momentos, tentou abafar, não sei porquê. Enfim... A gente saca quando o autor está se expondo e quando não está."
Assinalei as partes que me tocaram na alma.
Finalmente um (bom) escritor viu muito além. Viu o meu eu, a minha alma!
E ah, isso eu procurei muito... Alguém com essa sensibilidade!
Mas é isso aí. Eu só queria compartilhar.
Queria dizer a você que não estou muito bem, mas que voltei a escrever. Porque esse é o meu melhor. É essa pessoa que eu sou. E eu vou praticar, estudar, ser grande, você vai ver. E um dia, quem sabe, a gente volta a se conhecer.
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