Acho que criei uma devoção meio maluca. Tudo começou com aqueles aplicativos meio inúteis de facebook, que fica divulgando frases de autores importantes e você copia e cola, fingindo que já leu um cara que obviamente você não leu. E tinha o Dênis, ainda, contando na aula pra gente o quanto ele o adorava. Falava de sua incrível capacidade de amar e tudo mais.
Opa, de amar demais eu entendo bem.
Pelo menos me despertou a vontade de ler.
Aí comprei três livros do meu mais novo alvo de devoção: Caio Fernando Abreu.
E meu Deus. Meu Deus. Meu Deus. Repito um milhão de vezes que jamais será o suficiente para eu explicar o que está acontecendo comigo neste momento.
Se as citações partidas em redes sociais ou os fragmentos que eventualmente Dênis lia pra gente já me impressionavam, eu jamais serei capaz de explicar o que a leitura do livro “Pequenas epifanias” está fazendo com todo o meu ser. Uma vez eu perguntei ao Dênis que livro ele recomendava do Caio e a resposta foi justamente esse. Aí eu procurei, procurei, procurei mais e nada. Parece que as livrarias do país desistiram de Caio e eu não sei por quê. Quero dizer, estamos fartos de Crepúsculo e esses vampirinhos cheios de sentimentalismos, mas nenhuma sensibilidade. E abdicamos dos grandes?
Ó céus! Como posso viver em um mundo tão superficial assim? Tão pouco intenso... É uma pena.
Porque enquanto prossigo aqui, sentada, com a leitura do livro que baixei, sim, pois é, só consegui comprar encomendando pela internet, demorará 17 dias para chegar e Caio me chama. Não posso esperar. Não consigo. É mais forte do que eu. Por isso baixei. Mas, enfim, como dizia, enquanto eu prossigo com a leitura só me bate um aperto no peito, uma vontade absurda de levantar, como se estivéssemos num grande teatro e aplaudir. Aplaudir com força, com lágrimas nos olhos e um sorriso estampado, super bobo, no rosto.
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