Porque metade de mim é a lembrança do que fui... A outra metade eu não sei.

Domingo, Fevereiro 05, 2012

The winner takes it all

Sinto falta daqui.
As paredes são brancas e aconchegantes, eu não preciso me preocupar se escrevo certo ou errado. Boto ou tiro a vírgula, grito, choro, amo, xingo... Tanto faz, porque eu só Sinto.

Há almofadas coloridas por todos os lados.
Aqui eu sou o Rei. E digo no masculino mesmo, pois acho Rainha uma palavra feia. Há balões com balinhas dentro.
Aqui eu estou segura.
Aqui eu sou criança.
Aqui não tem lado ruim, nem dia ruim.
Aqui é a minha casa, não importa se pela janela está chovendo muito forte.

Todo não é sim. E todo sim, é, também, sim.

Não pode isso, não fale isso, não grita, olha os modos. Ah, vão se foder.
Aqui é assim que acontece.
Sou intensa e gosto de pessoas intensas, palavras intensas, vida intensa, músicas intensas, gestos intensos.
E a intensidade não se mede com educação, se mede com exagero.
Sou exagerada. Sou imediatista. Sou desequilibrada e não aceito um não. 
Sou tudo o que há de pior no mundo. Guardo dentro de mim os sentimentos mais mesquinhos.
Você também.
E sabe o engraçado?
Aqui ninguém vai te julgar.
Afinal, eu sou o Rei. 

O quintal está aberto, cercado por vidro.
Você pode entrar. Você pode se proteger.
Você pode ser você.
Falar o que você pensa. Sentir o que você sente.

Venha reinar comigo.
Eu não gosto de ficar sozinha.
Ainda sou menina.







2010.

Sexta-feira, Fevereiro 03, 2012

Sobre explodir, eu acho.

Tá aí.
Eu sou fechada. Engraçado eu dizer isso como se fosse uma grande surpresa. Mais engraçados ainda eu realmente estar surpresa por ter chegado depois de 20 anos de existência a essa conclusão. 
Sempre me considerei uma pessoa aberta. Hoje percebo que aberta e transparente não são sinônimos. 
Acho que vou me limitar a transparência. Todos sabem quando estou irritada, triste, feliz, tanto faz. É visível na minha fisionomia, no meu rosto, no meu jeito de lidar e de andar. Por outro lado, continuo fechada. Porque não adianta de nada eu mostrar minhas emoções se eu não consigo expressar - e dizer - o motivo. 
Eu tenho esse blog há, sei lá, 5 anos? Eu escrevo nele todo mês. E por mais que eu encontre nas palavras escritas uma espécie de refúgio, eu continuo muitas vezes não deixando claro a origem das coisas. Porque eu não consigo. Eu deveria me sentir segura, mas não me sinto. Eu deveria conseguir dizer, mas não digo.
É que hoje eu vi coisas que me magoaram. Muito. Como se eu fosse alguém de valor menor, como se eu não tivesse direito a títulos, como se eu não estivesse no mesmo patamar que outros alguéns.
Isso dói.
E provavelmente eu deveria sentar e conversar, tentar resolver os problemas, como qualquer pessoa faria, mas, não. Não eu. Eu não converso. Eu não expresso. Grita aqui dentro, eu escrevo textos raivosos, eu passo o dia mal humorada, mas resolver diretamente que é bom eu não consigo.
Ultimamente eu me vejo perdendo amigos. Não necessariamente perder, mas me afastando. Indo para longe. As vezes eu, as vezes eles. Sempre pela mesma razão: eu não consigo conversar. Não consigo resolver.
E sabe a pior parte?
Isso me agride um pouco. Mas acho que me agrediria mais ter que sentar e dizer diretamente o que me magoa.
Me assusta, ser assim. Porque eu guardo, sento e escrevo. Eu continuo guardando. Cedo ou tarde explode. Cedo ou tarde explode. E Deus me proteja de mim mesma quando isso acontecer... E Deus proteja quem estiver perto também.
Mais de Virgem, menos de Câncer. Medo da pessoa que eu tenho me tornado...

Domingo, Janeiro 29, 2012

As vezes

As vezes meio que bate um vazio gigante. E por mais que eu tente contorná-lo, ele não contorna. O que me preocupa é que eu já nem mais direito o motivo disso acontecer. Porque eu achava que era relativo a amor e bem, eu não vou afirmar com 100% de certeza que estou curada, porque sei que seria mentira, mas eu diria que já me sinto bem melhor quanto a isso. Me livrei dos sentimentos negativos e penso o menos possível a respeito do assunto...
Acho que é sobre a vida. O que eu não entendo é porque tem que voltar o tempo todo. Eu tenho uma semana da maior paz interior do mundo e, de repente, de novo está tudo de cabeça para baixo. Eu tenho medo. Tenho medo de abrir a janela e ir embora viver. Medo de não conseguir passar pelas dificuldades.
A verdade é que eu evito ao máximo pensar sobre isso. Me assusta quando é inevitável. Eu deveria lutar, sei lá, produzir. Qualquer coisa. Mas não consigo. Uma força maior me impossibilita de me fazer ter vontade de ir além desse muro que eu coloquei ao meu redor. Também não consigo quebrá-lo.
Me sinto como uma chama. Acende, brilha, ilumina e apaga. Quando vai se acender de novo, eu me pergunto?
As vezes parece que eu não vou conseguir respirar. As vezes eu tenho certeza.

Sábado, Janeiro 21, 2012

Amor, amar, amando... Verbo amar

"E é a vida que vai te dar a porrada mais forte."
Pouco tempo atrás, quem me conhece sabe, a vida me esbofeteou. Assim, de graça, bem no meio da minha cara e eu posso jurar para vocês de pés juntos que não fiz nada para merecer esse tapa. Pelo contrário, dei o melhor de mim para que as coisas andassem na linha. Em termos de esforço, eu me dou um 9,5. Não dou 10 porque sempre tem algo que nós podemos fazer a mais.
Eu, como todo ser humano com ascendente em câncer, emotiva, e com tudo o que vocês possam imaginar em leão, orgulhosa, caí em desespero. Fiquei deprimida. Fiz coisas das quais não me orgulho e que nem vale a pena relembrar. E, por fim, achei que tudo estava perdido.
Eu perdi o meu grande amor. Isso parece clichê, eu sei. Mas se eu digo que amo é porque amo. Nunca brinquei com essa coisa chamada sentimento. Muito menos com amor. Amei por sete anos firme e forte. Amei de todas as maneiras possíveis e agi correto. Muita gente brigou comigo, disse que eu era boba, mas se eu amo, eu confio. Posso ter levado na cara, mas não agi mal. Repetiria tudo de novo porque agi com integridade o tempo todo. Se deu errado, reconheço que a culpa não foi minha. Se as pessoas não são boas com a gente, segundos ou terceiros nos ferem, passam por cima da gente e pisam no nosso coração, bom, isso é problema delas. Aprendi isso com uma amiga minha. Ela me disse algo mais ou menos como: "Mare, porque as pessoas foram pior com você, você se tornará pior que elas?"
Eis a minha resposta. Não, eu me recuso a me tornar alguém pior. Eu me recuso a desacreditar da vida. Talvez eu tenha levado sei lá, bons meses para perceber isso, mas o importante é que eu percebi. E agora é hora de lutar, lutar de novo, com as mesmas armas: fé, sonhos e integridade. Porque esse é o melhor de mim.
E sobre amar, ah... A gente sempre ama. Eu amo de novo e amo amando este amor. Amo tanta gente, amo de tantas formas. O amor é lindo sim. O amor é bom e amar faz bem. Não importa quantas vezes a gente se quebre. Se tem algo de que eu não vou me arrepender é de ter amado, de continuar amando e amar mais.
Eu acordei agora, no meio da madrugada e vi que as coisas estavam no lugar certo, sabe? Eu estou produzindo, estou escrevendo muito, estou me esforçando de verdade para tirar todos os sentimentos ruins de mim, para não chorar, para amar ainda mais. Estou lutando por mim. Para ser feliz.
E como essa amiga citou Caio, eu cito Caio porque Caio é amor: Se você me deseja mal, eu te desejo amor. Todo o amor do mundo!

*Caio Fernando Abreu

Domingo, Janeiro 15, 2012

Abrir ou não?

Se o Caio fosse vivo, acho que ele me diria para eu abrir a janela e deixar os Sol entrar. Porque o Sol traz a vida e de vida, todos nós precisamos.
Até eu. 
Esse é Sol faz as flores crescerem. 
Vai ver eu tenho uma flor. Quem sabe? Sei lá. Eu nunca me dei o trabalho de abrir as cortinas em todo esse tempo para ver se existem sementes a desabrochar. 
Agora fico eu aqui em dúvida. Abrir ou não? Abrir ou não? Em tese, se eu abrir não tenho nada a perder. Mas e meu medinho do: e se eu tiver?

Quinta-feira, Janeiro 12, 2012

Dos desapegos

Eu acho que cedo ou tarde eu vou ter que me abrir de novo. Sinto o tempo passando e eu aqui, estagnada, lutando contra meus medos que me derrotaram e que deveriam ser passados, mas persistem no presente.
Confesso não saber para onde correr. Eu deveria me abrir, mas não me sinto disposta a isso. Porque bem ou mal, meu coração ainda está atrelado lá atrás e não seria correto comigo simplesmente passar por cima de tudo o que eu sinto e me abrir. E eu também tenho medo do novo. O novo sempre me apavora.
Seja lá como for, é inevitável. Alguma hora vai acontecer. Deveria ser por agora, mas não quero. Não vou me enforcar. Apenas queria que o resto do mundo fosse capaz de entender isso e respeitar... Da mesma forma que eu me esforço para não querer esganar as pessoas por terem se desvencilhado do passado e rumado ao futuro.

Sábado, Janeiro 07, 2012

all you need is love :)

Apesar de tudo, eu acho que a gente devia se amar. A gente devia se doar, lutar pelos outros, ser fiel, estar próximo. A vida não é como eu gostaria que fosse, as pessoas me decepcionam dia após dia, mas mesmo assim, eu tento olhar adiante e encontrar a Luz. 
Eu acho que a gente devia continuar lutando, mesmo quando as causas forem perdidas. A gente devia se esforçar para sorrir quando o mundo tenta nos roubar todos os risos e nos presentear injustamente e ingratamente com os lábios murchos mais insossos.
A gente devia reconhecer nos outros o poder deles e usar isso a nosso favor. Porque ninguém é forte o suficiente para se manter de pé sozinho. A gente devia perceber nas pequenas coisas atos grandiosos e fazer reflexões acirradas sobre o assunto. Porque de alguma forma bem estranho, de um jeito que eu não compreendo, que provavelmente ninguém nunca entenderá, algumas pessoas simplesmente vão estar lá. E elas nos amam demais para que definhemos sozinhos nos campos da amargura. 
E eu não sei quanto a você, mas eu amo de volta.
Porque as vezes a gente se perde e perdido nós ficamos. Estamos. As turbulências não param. Nos atingem. E dói. Mas isso não significa que nós esquecemos quem nós somos. Talvez por um tempo, mas nunca para sempre.
Porque metade de mim é amor. 
E a outra metade também